Namoro Io-Iô



Texto disponível no site da Kansas State University, datado de 20 de fevereiro de 2012.
Traduzido e adaptado por Rooster
Meus comentários estarão em negrito no final do texto.


Pesquisa da Kansas State University revela que reatar um romance praticamente extingue a felicidade do casal.

Amber Vennum, professora assistente de estudos da família e serviços humanos da Kansas State Univerity, está estudando casais em relacionamentos cíclicos -- como se chamam os casais que desmancham e reatam o relacionamento. Ela procura os motivos pelos quais os casais reatam, e como isso afeta o relacionamento.


"Existem poucas pesquisas sobre esse assunto, mas foi mostrado que os relacionamentos cíclicos são bem comuns," diz Vernum. "Em  adolescentes em idade escolar, quase 40% estão num relacionamento que já foi desmanchado e reatado. Isso é chocante, especialmente quando se leva em consideração os efeitos de estarem num relacionamento cíclico."

Para sua pesquisa, Vennum analisou casais cíclicos e não-cíclicos, sobre seu relacionamento e suas características. As informações foram avaliadas utilizando a "Escala de Decisão de Relacionamento" (RDS na sigla em inglês), que avalia qualitativamente os relacionamentos, e prevê com certa precisão como será o relacionamento nas próximas 14 semanas.

Enquanto os filmes, livros, e programas de TV mostram o reatar de um relacionamento como algo romântico, Vennun descobriu que o resultado dessa união são bastante indesejáveis.

Suas descobertas mostraram que os casais em relacionamentos cíclicos tedem a ser mais impulsivos em relação a grandes transições no relacionamento -- como irem morar juntos, comprar bichos de estimação, ou terem filhos -- que aqueles que não estão em relacionamentos cíclicos. Como resultado, as pessoas em relacionamentos cíclicos tendem também a estar menos satisfeitas com seus parceiros, tem uma comunicação pior, tomam decisões que afetam negativamente o relacionamento, tem baixa auto-estima, e possuem grandes incertezas sobre o futuro da união.

"A idéia é que, por conta das pessoas não estarem se comprometendo explicitamente com o relacionamento, elas são menos propensas a assumir comportamentos pró-relacionamento, como discutir a relação ou fazer sacrifícios pelo companheiro," diz Vennun. "O pensamento é que 'Se não estou comprometido com você, porque haveria de me esforçar por você?'"

Essas descobertas alinham-se àquelas do único outro grupo de estudo de casais cíclicos nos EUA, de acordo com Vennum. Esse grupo estudou as estratégias de descarte utilizadas por casais em relacionamentos cíclicos e seus motivos para reatar. Eles descobriram que apesar dos casais dizerem que reataram porque o parceiro "mudou para melhor"ou que a comunicação melhorou, os resultados mostraram outra coisa. Além disso, outros casais disseram que o relacionamento continuou porque não estava claro se eles tinham verdadeiramente terminado o romance.

"Quando casais cíclicos desmancham, eles tendem a ser ambíguos sobre o fim do relacionamento,", diz Vennum. "Então pode não ficar muito claro para um deles, ou ambos, se realmente terminaram e o porquê de terem terminado, o que os leva à continuidade do relacionamento amoroso. Em outros, o término não foi unilateral, então um parceiro procura o outro para que este volte."

Vennum também analisou os efeitos da ciclicalidade pré-marital nos casamentos.

Ela descobriu que casais que foram cíclicos antes do casamento eram mais inseguros sobre casar e iniciaram seus casamentos com menos satisfação e maiores conflitos que os casais não-cíclicos. Além disso, cônjuges que foram cíclicos antes do casamento eram mais propensos a se divorciar no primeiros três anos de casamento.

"Isso na verdade mostra que parceiros cíclicos tendem a repetir essa ciclicalidade," diz Vennum. "Se você tende a ser cíclico no namoro, tenderá a ser cíclico no casamento. E quanto mais cíclico, mais a qualidade do relacionamento tende a decair, e isso cria desconfiança e incerteza sobre o futuro do relacionamento, perpetuando assim esse padrão."

Vennum está atualmente agrupando suas descobertas para futura publicação. Ela também aconselha os casais que se separaram:

"Não reatem," ela diz. "Todos os estudos mostram que quando nosso relacionamento é pobre, nós não o desempenhamos bem. Se parecer necessário reatar, tenha certeza que a decisão foi cuidadosamente pensada por ambos e que esforços específicos foram feitos para esclarecê-la."


Comentários:


Esse estudo demonstra de forma mais científica algo que o senso comum já nos diz: namoros do tipo "io-iô" somente nos trazem mais angústia enquanto perduram, e mais sofrimento e depressão quando terminam definitivamente.

Com o tempo, nos acostumamos com o inferno do namoro "io-iô", e esquecemos que poderíamos viver muito melhor longe daquela que nos atormenta. É como se vivêssemos numa constante ressaca, cuja cura seria tomar um novo porre, que trará nova ressaca, e assim por diante. É esse ciclo entre drogar-se, viver pequena síndrome de abstinência, depois drogar-se novamente, que torna os namoros "io-iô" um inferno viciante.

Quem já viveu um namoro desse, repleto de paixão, mas também de "porres e ressacas", sabe bem o quanto é sofrido enquanto dura, e dolorido quando termina definitivamente.



Rooster

Um comentário:

Anônimo disse...

Eu tenho um relacionamento assim e por ter um filho nunca coloquei um final definitivo.

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