Três é demais


Coincidências acontecem quantas vezes?

Um caso real, para pensar:


1º Tempo

Três meses de namoro, casal apaixonado, um conto de fadas.
Era uma quinta-feira, final de tarde, ela diz que recebeu uma ligação, e que naquela mesma noite haverá uma reunião especial num Centro Espírita um tanto distante.
Tão especial que duraria a noite toda, só terminando na alta madrugada, e ela não poderia levá-lo, nem atender ao celular.

"Ela é mesmo religiosa. Apesar de estranho o compromisso, não devo questioná-la", ele pensa, e assim aceita.




2º Tempo

No dia seguinte, pouco antes do almoço, se encontram.
Curioso ele pergunta como foi a noite, o que disseram, quem da família dela foi, e essas coisas que perguntamos quando em busca de detalhes sobre aquilo que nos inquieta.

- "Foi tudo bem.", ela responde reticente.

A conversa continua, e minutos depois, já relaxada, ela comenta:

- "Nossa, hoje não consigo nem sentar! Acho que é minha hemorróida."

"Hemorróida? Ela nunca havia falado sobre esse problema...". A dúvida se instala na mente dele mas, imerso na paixão, não lhe dá crédito.


3º Tempo

Naquela noite amena de sexta-feira, vai à casa dela, abre um vinho, começam a conversar no sofá da sala.

"Ela é tão linda e carinhosa, devo esquecer essas dúvidas e curtir a noite", e ele se esforça para não pensar mais no que aconteceu, nem naquilo que poderia ter acontecido.

A primeira garrafa se vai. Na cozinha, ele abre outra, quando percebe o relógio na parede.

- "Então finalmente você acertou o horário de verão?", ele pergunta, parado à porta.

- "Não meu amor, foi você. Não lembra? Eu mesma coloquei o banquinho pra você subir e acertá-lo!"


"Banquinho? Acertar relógio? Eu nunca... Oooops..."

Uma luz se acende, a lógica aparece, e a inquietante dúvida se transforma em dolorosa certeza!

A paixão permaneceu, bruxa teimosa que é. A confiança, frágil, foi embora para nunca mais voltar.


Rooster

2 comentários:

Anônimo disse...

perfeito

Wanderley Moraes disse...

Esse aí é só mais um daqueles casos corriqueiros em que uma vagabunda se esconde por trás de um relacionamento. Liberou a rosquinha pro safado a noite inteira, coisa que talvez ela não fizesse pro otário.

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